quarta-feira, 4 de abril de 2018

e ela ainda vive

exatamente, ela ainda vive
ela no caso sendo eu, mesma. Hanna.

fui lembrada que meu tão amado blog existia, e que eu era mais animada e escrevia no meu tempo livre, dai fucei meu notebook e encontrei esse último capitulo que postei agora a pouco. É um que já estava escrito há uns bons 8 anos mas eu nunca terminei, e no fim pensei ''por que não?"

às vezes as coisas são assim. às vezes o que falta é um ''por que não?"

e às vezes era só preguiça, mesmo kkkk

eu queria terminar o capítulo, escrever mais alguma coisa, mas achei que serviria melhor como uma ''homenagem'' eu honrar as palavras que já estavam guardadas há tanto tempo e apenas postei.

enfim.....depois de tanto tempo eu lembro vagamente do que eu tinha pensado para essa história, e aquela animação toda pra escrever se diluiu em outros aspectos da minha vida, mas fiquei feliz por ter encontrado esse 2/3 de capítulo de 2010 e ler coisas que eu pensava nessa época. Fiquei feliz por eu ter escrito o que eu escrevi.


VIII. Anna é aceita.



 Quase um mês se passou depois do meu passeio com o Vitor. Era quase final de agosto. O encontrei varias vezes ao fazer compras, e conversávamos sempre que podíamos. Eu estava começando a gostar disso. E, também há quase um mês, minha prima morava comigo.
        Eu gostava da morar com ela. Era agradável ter alguém para contar como foi seu dia antes de dormir, e escutar como fora o dela. A Camila era uma das únicas que sabiam tudo o que eu estava passando. Pelo simples fato de que ela era uma das únicas com quem eu me abria, junto com a Tamara e a Amy.
       Mas viver acompanhada é difícil. Mesmo que por alguém da família. Não sei se a minha dificuldade de aceitar outra criatura da raça humana nos meus aposentos estava me irritando, ou se era a diferença de personalidade. Mas eu tinha que conviver com isso.
        – Ann, você sabe onde eu coloquei meus chinelos? – Pergunta-me Camila.
        – Vê se você não os chutou para baixo da cama. – Era típico dela fazer isso.
        – Obrigada. Achei eles. – Eu não era muito organizada para reclamar de minha prima, porém a minha bagunça era mais inocente que a dela.
        Minha prima era determinada. Ela queria, a qualquer custo, me fazer mudar, sair mais de casa a princípio, então ela me chamava para ir a vários lugares. Eu conseguia persuadi-la do contrario algumas vezes, mas mesmo assim, nós saímos bastante. Íamos ao cinema praticamente a cada cinco dias, almoçamos fora periodicamente e eu a acompanhei em suas compras. O que foi divertido.
        A tática de Camila para conseguir as melhores roupas pelos preços mais baixos era inacreditável. O plano consistia em fazer com que o vendedor acreditasse que vender uma peça de roupa mais barata que a concorrência para ela era inquestionável, e nada menos que natural. O que minha prima gastava de horas e mais horas nisso tudo era absurdo, mas saíamos das lojas com cada vez mais sacolas. E quase metade delas era de roupas para mim.
        – Assaltaram alguma loja, meninas? – Nos pergunta Helena quando chegamos em casa.
        – Quase. Da próxima vez que for às compras leve a Camila junto. – Respondi. – Ela comprou metade das lojas que entrava. Minha prima foi treinada para isso.
        – Eu só sei o jeito certo de conseguir as coisas. Simples assim. – Responde aos meus comentários de um modo graciosamente exibido. – Toda garota que gosta de comprar sabe disso.
        – E que gosta de gastar também. – Interrompe meu pai. – Vocês gastaram a fortuna de que milionário nessas roupas?
        – Eu não gastei muito, pai. Meu papel nisso tudo foi apenas o de um expectador. – O que não deixava de ser verdade, pelo menos no começo.
        – Bem, não cheguei a gastar uma fortuna... Digamos que eu comprei na medida certa. – Responde por sua vez Camila. Era uma arte, do nosso conhecimento, arrumar a verdade para que ela não soe pesada de mais. Nós não mentíamos, apenas... Modificávamos.
        ­– Ah, Anna. – Diz Richard. – Chegou uma carta da faculdade para você de manhã.
        – Sério? – Pergunto assustada, afinal, não esperava por cartas da faculdade nesse bimestre.
        – Sim. Eu a deixei em seu quarto.
        – Obrigada pai. Vou lá ver. – Subo as escadas com Camila me acompanhando. Coloco as sacolas na minha cama e olho ao redor, procurando a carta. Encontro-a em cima do criado-mudo, ainda lacrada. Seguro-a com as duas mãos, e leio:
                                                         “URGSul-Torres”
                    “Curso de Férias para Alunos do Ensino Médio: Historia Antiga.”
        Abro o envelope cuidadosamente e começo a ler o que a carta dizia.
Cara aluna do Anna Almeida do 3º ano do Ensino Médio, lhe informamos que sua prova de conclusão do Curso de Férias para Alunos do Ensino Médio de Historia Antiga foi selecionada dentre muitas e a senhorita foi escolhida para preencher uma das 10 vagas que reservamos aos melhores de cada curso. A senhorita ganhou uma bolsa integral de estudos para cursar nossa faculdade de Historia da Arte, Historia Antiga, Arquitetura ou Artes plásticas.
        Nos informe de sua escolha até o dia 1º de setembro, se desejar ou não aceitar nossa bolsa integral de estudos.
                                                                                                    Grato, URGSul-Torres.”
        Li a carta duas vezes para ter certeza que entendi direito. Eu simplesmente tinha a chance de me formar na melhor universidade que eu poderia sonhar em entrar. E com tudo pago. Li novamente.
        – O que a carta diz, Ann? – Camila me tira de meus pensamentos.
       – Eu passei. – respondo baixo de mais para qualquer humano entender. – Passei. – digo novamente. – EU PASSEI! – Agora os vizinhos também sabiam da novidade.
        – C-calma prima! Você passou no que?
        – Passei na URGSul daqui da cidade! Eu ganhei uma bolsa de estudos para um curso à minha escolha! – Minha voz subindo algumas oitavas.