sexta-feira, 18 de setembro de 2009

IV. Passeio e embrulho.

A cidade tinha uma praia razoável, mas para pessoas como eu, que não gosta de água salgada e areia, isto não era de grande importância. Chegamos ao shopping em trinta minutos e fomos comprar os ingressos. Aproveitei e liguei para meu pai. A escolha do filme ficou por conta da Amy e Tamy. O Matt gostava mais de ação, só que não tinha voz de comando para impor seu gosto com as duas juntas. Eu não ligava muito. Qualquer filme estaria de bom tamanho.
– Assim não da. Esse filme é perfeito! Não acredito que não vamos poder ver! – Diz Amy, indignada. – Não tem graça vir ao cinema se todo mundo já comprou os ingressos antecipadamente.
O problema da vez era que as duas sessões do filme “Memórias na praia” já estavam lotadas.
– Ah, eu também queria ver esse filme. – Agora quem reclamava era a Tamy. – Que pena.
– Agente espera sair em DVD ou voltamos aqui outro dia e assistimos a esse filme. – Diz o Matt. Era uma boa opção.
– Concordo. Hoje não da para nós vermos este. Agente escolhe outro e pronto. – Como já disse, para mim tanto faz.
– Então eu voto pelo “Sem escudo e sem honra”! – O Matt também gostava de filmes com temáticas medievais. – Não é só violência, e tem um pouco de romance.
– Hm... Pode ser... – Comenta Tamy. – O que você acha, Amy?
– Já que não podemos ver “Memórias na praia” tudo bem.
– Eu gostei do nome do filme. Parece bom – Digo. – A próxima sessão vai começar em... Uma hora, não é?
– Vamos dar uma volta, então – Sugere Tamara. – Quero ver se encontro alguma boa loja de roupas.
– Isso! Gostei da idéia! Vamos, vamos! – Pelo visto, a Amy também queria comprar roupas.
– Ai ai ai, ficar vendo roupa é muito chato. Vocês escolhem e escolhem para depois não levarem nada. – Era o Matt que acompanhava a Tamy quando ela ia comprar roupa. Ele tinha experiência no assunto.
– Eu vou com vocês. Quero comprar uma camisa de manga cumprida. – Eu adorava usá-las por baixo de uma de manga curta.
– Então está decidido! Vamos ir às compras! – A empolgação da Amy era invejável.
Ficamos andando pelo shopping por um tempo. Paramos em umas três lojas antes de encontrar alguma peça de roupa interessante.
– Esse shopping até que é grande. – Comentei. – Tem bastante gente.
– E mesmo. – Falaram as duas, quase ao mesmo tempo. Matt permanecia calado.
– E então, alguma novidade, meninas? – Nos pergunta a Amy.
– Agente fez a ultima prova do curso ontem. Eu acho que fui bem – diz a Tamy. – Fora isso, tudo na mesma.
– É, acho que fui bem na prova – Completo. – Ah, ontem apareceu um cachorro lá em casa. Ele tinha o numero do dono na coleira. Eu liguei para o telefone e o mordomo veio buscá-lo hoje de manhã. – Resumi a história.
– Mordomo? Que chique. Não sabia que ainda se tinham mordomos. – Comenta o Matt, brincando.
– Nossa... Sabe quem era o dono do cachorro? – Me pergunta Tamara.
– O nome eu não sei. A única coisa que o mordomo falou foi o nome dele, e o sobre nome do patrão. Se não me engano era Calegari.
– Hm... Não conheço. – Pensa alto Tamara.
– Se tem mordomo devem ser ricos. – Comenta Amy. – Eles te agradeceram por devolver o cão? – Pergunta com curiosidade.
– Sim. Eu disse que não queria nada, mas o mordomo insistiu e me deu um presente. Mas não abri ainda.
– Como não abriu ainda? – Quase grita. – Se fosse eu, já teria aberto faz tempo, Ann. – A Amy era muito curiosa.
– Haha, bem típico de você. – Me diz a Tamy. – Depois que você abrir nos conta o que é!
– Sim, sim. Eu conto. – Prometo para as duas, e olho para meu relógio. – Vamos ir andando. Já vai começar o filme.
– É mesmo. Vamos logo. – Concorda Matt. Encenando impaciência.
Não havia muitas pessoas na fila. A maioria deveria estar assistindo “Memórias na praia”. Mas a nossa segunda opção de filme também era boa. Contava a história de um guerreiro romano que queria acabar com a guerra entre sua família e outra. No meio da trama ele acaba perdendo mulher e filhos, e revoltado com isto, parte para a guerra. Desprovido de armadura ele acaba se ferindo seriamente, e morre. Mas a história dele permaneceu, e com isso o guerreiro pôde restaurar sua honra. A luta entre as duas famílias não durou muito mais. Por fim, ele conseguiu o que morreu tentando.
– O filme foi lindo. – Diz Amy, ao sair do shopping. – Não sei se agüentaria ver meu marido sofrer tanto assim por uma briga entre famílias.
– Naquele tempo as brigas levavam à morte mesmo. – Entra na conversa Matt. – Era comum resolverem as diferenças desse modo.
– Mas a mulher dele, e os filhos, não precisavam ter morrido. – Digo por fim. – Aquele primo dele que era o culpado. Que matassem ele.
– Verdade! – Agora quem falava era a Tamy. – Se eu fosse o guerreiro tinha matado ele primeiro. Daí o patriarca da outra família poderia não ter matado mais ninguém.
E a discussão de quem deveria morrer primeiro para salvar a vida da mulher e dos filhos do guerreiro romano continuou. No final ficou que a culpa era realmente do primo ganancioso.
Era três da tarde quando fomos comer. Eu não estava com muita fome. Tinha dividido um saco grande de pipoca com a Amy. Paramos em frente a um restaurante italiano e pedimos a especialidade da casa: Um espaguete de massa integral com especiarias, ao molho branco. Um prato dava para duas pessoas comerem com folga. Como não estávamos com muita fome pedimos três. Acompanhando suco natural de laranja, sem açúcar e com gelo.
Voltamos para casa ao entardecer. Encontrei meu pai assistindo televisão na sala, cuidando do bebe, que estava no tapete. A Helena preparava algo para dar ao meu irmão. Subi as escadas e fui para meu quarto. Joguei-me na cama. É muito relaxante fazer isso quando se está cansada. Olhei o embrulho em meu criado mudo. Era o agradecimento pelo “resgate” do Urso que ganhei mais cedo. Resolvi pega-lo.
Danificar o embrulho, mesmo que para abri-lo, era um pecado. O pacote era magnífico. Simples, porém bem acabado. Esta beleza toda só me fez ficar curiosa. Se o embrulho era assim, imagine o conteúdo. Mas ao pensar nisso, senti que não deveria ter aceitado o presente, afinal, eu não havia feito nada de mais. Dentro do pacote havia uma pequena caixa rosada. A abri com cuidado e, dentro desta estava um pingente. Um pingente com o colar, na verdade. O colar era lindo. Ele sozinho poderia ser considerado uma bela jóia. Era de prata, todo trabalhado. Vinha até quase o colo. Já o pingente, uma obra prima. Era uma pequena rosa, do tamanho de um botão. Parecia envelhecida. Tinha um ar de soberania inquestionável. Simplesmente a flor mais maravilhosa que já havia visto na vida. As duas peças juntas ficavam perfeitas. Ai sim que tive certeza que não deveria ter aceitado o presente.

2 comentários:

  1. bom, eu adoro rosas, pode dar o presente pra mim.... rsrss... filha, a história está muito boa!
    e por coincidência estou louca por um anel de rosa....

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