terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Óculos


Como prometido, cá está o óculos! Lindos não *-* Eu achei muito delicado, e ainda é levinho! E ele chega HOJE \o/ hehee

Férias \o/

Sim, férias-q

Eu sei que escrever isso depois do natal, e quase no ano novo é meio passado, mas msmo assim eu estou aqui :)
Acontece que eu passo meus dias sem aula na casa da minha mãe, e como quase nunca tenho tempo de pegar meu computador e escrever resolvi postar algo sobre meus dias aqui o/
(tédio ._.)
Passo minhas férias em uma cidadezinha... pacata, no mínimo...
O maior movimento é o povo se reunir na praça =P Oque é bom para variar um pouco da movimentação de cidades grandes.
Aqui não tem cinema, SIM! SEM CINEMA!! ò.ó Tbm acho um absurdo XD
Por isso que eu vou pra cidade vizinha assistir filmes ;x
Ah! Ganhei dois alargadores novos da minha mãe!! Lindooos *-* Tbm comprei uns livros! Na verdade comprei um e ganhei 3 ^^' Só que não li todos ainda, pq vou usar óculos e estou esperando que eles cheguem :T
(Sim, vou usar óculos! Mas acho que vai ser legal~ depois posto uma foto dele n.n)
Vejamos... Acho que vou voltar para Mogi dia 10 de janeiro, em um domingo... Mas não esta nada certo ainda....
Ah! Outra coisa! Eu entrei no Formspring!! \o/
é tãão legal *w* me perguntem alguma coisa vcs tbm~ heheee x3
o link é esse~> http://www.formspring.me/hannawaack

hm..agora já escrevi quase tudo que eu lembrava... acho que tá bom, nea ^^
Beeijoooos!! ;* E em breve mais capítulos de RoseMary sz

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Tenho um bom motivo!

Acho que agora eu bati meu record de ''que demora para postar alguma coisa" ^^'
desculpe-mee~
a causa desse atraso todo é a escola ú.ù
com tantas provas assim nao me sobra tempo para fazer qualquer outra coisa!
eu estou escrevendo o proximo capitulo, esta na metade, mas nao encontro tempo para acaba-lo =x

Desculpe de novo....

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

VII. Servindo de companhia.

Quando alguém aceita um convite tem que cumpri-lo. Mas isso ecoa como uma obrigação. O meu caso combinava mais com diversão. Convenhamos, a idéia de sair com vários cães é divertida, se não assustadora.
E com esse pensamento minha quarta-feira começa.
No dia anterior, como sempre, a encarregada de reabastecer a geladeira era eu. Uma vez por semana, mais ou menos, eu comprava os frios necessários para o café-da-manhã. Cumprir tal tarefa implica em ir ao mercado, que é onde um certo rapaz trabalha. Sim, me encontrei novamente com o Vitor.
– Oi Anna. Faz tempo que não te encontro aqui. – Diz o Vitor. Dessa vez ele estava na parte dos pães e biscoitos.
– Não tive tempo para vir aqui antes. – Respondo. ­
– E o nosso passeio continua em pé?
– S-sim, continua. – Digo, talvez um pouco rápido. ­– Você não quer que eu passe aqui mesmo?
– Não, eu passo na sua casa, já sei onde é. Não vai me atrapalhar, e de qualquer forma, eu não estarei aqui.
– Então ta bom. Até amanhã. – Não sabia como continuar a conversa, por isso resolvi que era hora de voltar para casa.
Tinha ficado combinado que ele me pegaria em casa, de manhã, na próxima quarta-feira. Ou seja, hoje.
Acordei duas horas antes, para evitar possíveis atrasos. Eu me conhecia bem o bastante para saber que era atrapalhada. Desci as escadas devagar, sem fazer barulho, para não acordar minha prima que ainda dormia. Meu pai e Helena já estavam na cozinha conversando.
– Eu vou sair daqui a pouco, pai. – Interrompo parcialmente a conversa. – Um amigo meu vai passar aqui as nove. Nós vamos passear com alguns cães.
– Um amigo seu? – Pergunta Richard. – Eu o conheço?
– A-acho que sim, mas não se lembra. Ele trabalha no mercado perto da praça. Ele me ajudou quando eu fui comprar ração para o Urso.
– Tem bastante jovens trabalhando naquele mercado. – Comenta Helena. – É um bom lugar para ter seu primeiro emprego.
– É sim... – Vocês querem me arranjar um emprego?
– Hm... Não me lembro direito. – Começa meu pai. – E por que vocês vão andar com cachorros? – Agora ele parecia curioso.
– Ele passeia com cães duas vezes por semana e me convidou para acompanhar na caminhada. Por causa do Urso, talvez. Não sei. – Eles não precisavam saber do detalhe de que eu também havia me convidado.
– Então tudo certo... E a Camila, não vai? – Indaga meu pai.
– Deixe ela passear com só com o rapaz, querido. – Interrompe Helena.
– N-nã-não, não! Este não é o caso. É só q-que a Camila ainda esta dormindo! Nada de mais. – E lá vai a Ann gaguejando novamente.
– Certo... – Conclui Richard. – Vocês não vão voltar muito tarde, né?
– Acredito que voltaremos antes do almoço. – Não deveria demorar muito andar com cachorros.
E assim eu estava pronta para passear com o Vitor. Agora era preciso me preparar psicologicamente.
Não precisei esperar muito. Em cinco minutos avistei um rapaz alto com vários cães presos em coleiras virando a esquina da minha rua. Achei a cena divertida.
– Bom dia, Anna. – Diz o Vitor, com um particularmente mais feliz que os demais. – Você esta esperando há muito tempo? – e me cumprimenta com um beijo no rosto.
– Bom dia para você também. – Respondo após a troca de gracejos. – Não, você chegou rápido aqui em casa.
– Sim, não queria me atrasar. – E retoma sua habitual posição de uma mão na cintura e sorriso nos lábios. – Olha, esses aqui são sua responsabilidade hoje. – Alerta-me Vitor, com ironia brincalhona, ao estender duas guias em minha direção. – Eles não puxam muito, não é difícil de levá-los.
– S-sim, eu consigo levar esses dois. – Respondo. O que não era de se espantar, pelo fato de que os cachorros em questão eram Yorkshires. – Como eles se chamam?
– Pepita, a maior, e Lolita.
– Nomes bonitinhos para duas Yorks. – E realmente combinava.
– Quer decidir o percurso de hoje, Anna?
–Ah... Acho melhor você seguir o seu mesmo. Eu não ando muito, não sei um caminho bom para andar. – Afirmar que eu era sedentária não era uma das melhores opções de conversa que eu possuía.
– Então eu vou te mostrar um ótimo lugar para ir andando. Não é muito longe daqui. – E com essas palavras nós começamos a andar.
– Você mora a onde? – Pergunto.
– Perto da praça central. – Responde Vitor. – É longe daqui.
– Hm... Você vem todos os dias trabalhar no mercado, não?
– Venho sim, mas já me acostumei. No começo era ruim ter que acordar cedo e pegar o ônibus, ou vir de bicicleta. Agora eu não ligo tanto.
Eu fiquei tentando imaginar eu tendo que sair mais cedo pra ir trabalhar. A idéia não me agradou muito. Não que eu não gostasse da parte do “ir trabalhar”, eu apenas achei que me atrasaria mais do que já me atraso.
– E você, trabalha, estuda? – Indaga o rapaz.
– Só estudo por enquanto. Eu estava fazendo um curso de férias, mas já acabou. –Respondo. – Agora não estou fazendo nada.
– E você pretende começar a trabalhar nesse ano?
– Não sei. Seria bom, para ganhar experiência. Mas não sei onde, ou quem, aceitaria uma pessoa como eu.
– Se você quiser eu posso ver se ainda tem vaga lá no meu trabalho. Seria bom ter alguém pra conversar de vez em quando.– Sugere o Vitor. Pode ser impressão, mas ele me pareceu sem jeito nessa hora.
– Tem mais gente trabalhando lá, não tem?
– Ter tem, mas ninguém com quem eu converse.
– Se é assim... Não seria ruim eu começar a trabalhar no mercado.
– Não seria nada ruim. – Completa o Vitor. – Acho que você iria gostar. Não tem muita coisa pra se fazer, além de arrumar as prateleiras, e as vezes cobrir o caixa. E até que se ganha bem.
– Ta bom, vou pensar no caso. – Respondo por fim.
Continuamos nossa caminhada. Eu com os dois pequenininhos, e o Vitor com um Pastor Alemão e um Labrador. O silêncio depois de uma conversa geralmente é incomodo. Dá a entender que o assunto acabou, ou que um dos dois não quer continuar o diálogo. Mas esse nosso silêncio que se seguiu foi... Gostoso. Não me senti desconfortável com ele, muito menos apreensiva. Eu andava sorrindo, e o Vitor também. De vez em quando um olhava para o outro e dava uma leve risada. Os meus Yorkshires corriam atrás do Labrador, que entrou na brincadeira e latia para eles. A diferença de tamanho deixava a brincadeira visualmente engraçada.
– Quantos anos você tem? – Pergunta o Vitor, retomando a conversa.
– dezessete. – Respondo pega de surpresa pela quebra do silêncio.
– Sério?
– Sim, sério. Por quê?
– Ah, nada de mais. Você parece mais velha.
– Sério? – Agora era a minha vez de fazer essa pergunta. – Quantos anos você me dá?
– Vejamos... – Fala Vitor, e começa a pensar. Olha para mim alguns instantes até responder por fim: Uns dezoito... Talvez dezenove anos.
– Então não estou tão mal assim. – Digo brincando.
– Não esta mesmo. – Responde o rapaz, entrando na brincadeira. – E eu? Quantos anos você acha que eu tenho?
– Vejamos... – Faço as mesmas ações que ele fez ao me examinar. Imitando-o. – Eu daria uns dezenove anos também. Não sei direito.
– Quase. Passou perto. – Responde alegre. – Acabei de fazer vinte anos.
– Verdade? – Pergunto surpresa. – Quando foi?
– Ontem.
– E por que você não me contou nada?
– Ah... Eu não quis falar nada. Para não incomodar.
– Não incomodaria nada. Feliz aniversário atrasado, então.
– Muito obrigado Anna. – Responde o Vitor.
– Pode me chamar de Ann.
– Então, muito obrigado Ann. – Diz novamente. Desta vez fazendo reverencia.
Nós andamos por mais algum tempo. Passamos por varias ruas que eu não conhecia direito. Alguns lugares de pouco movimento, o que deixou nossa caminhada mais confortável. Conversamos sobre vários assuntos, desde acontecimentos na infância às ocasiões embaraçosas em trabalho ou escola. No final, ele me levou até minha casa, e paramos na porta.
– Quer tomar alguma coisa? Água ou suco? – Pergunto.
– Não precisa. Já vou andando.
– Está bem, então. – E devolvo a guia dos dois cachorrinhos que eu segurava para ele.
– Obrigado por me acompanhar hoje. Eu gostei muito da nossa caminhada. – Diz o Vitor, segurando a coleira de dois cães em cada uma das mãos, o que impedia a mobilidade de seus braços.
– Eu também gostei. Acho que levo jeito para andar com esses dois pequeninos ai. – E aponto com o queixo para os Yorkshires.
– Você leva jeito sim. Agente poderia andar de novo qualquer dia desses.
– S-sim. – Logo após responder senti meu rosto ficar levemente mais quente.
– Então está combinado. – Responde o Vitor, com o sorriso habitual no rosto. – Já vou indo. Tchau.
– Tchau. – E inclino-me para o beijo no rosto de despedida. O Vitor caminha até a calçada, vira de costas e acena para mim, que respondo com um movimento de cabeça. E ali, parada em frente à porta, observo o mesmo rapaz alto guiando alguns cães, sumir pela mesma curva em que antes apareceu.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Desculpa

Eu me esforcei para acabar mais um capitulo hoje, mas nao deu muito certo ç.ç
o meu tempo de internet é limitado, então só terei novas chances de postar alguma coisa na quintaTT____TT
Acontece que no meio do capitulo VII eu tive uma outra ideia, mas como não queria perder o que tinha escrito, mudei para que ficasse sendo o VIII e fiz um novo VII (deu para entender a minha confusao? .__.)
entao, na quinta-feira eu vou postar mais duas partes da minha historia! \o/
*quanta emoçaao >.<*

Até os proximos capítulos de RoseMary~

Escolhendo letras

Eu de novoo~
essa aqui é um das possiveis letras para o titulo do meu possivel livro
(uma historia cheia de possibilidades a minha, nao?~)
o que vcs acham?



para quem gostou, a fonte é a vivalda ;P

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Sabe de uma coisa?

Eu estou gostando muito de escrever essa historia. Tem alguns momentos em que a unica coisa que penso é como vai ser o próximo capitulo! É emocionanteee >___<
espero que, se voce estiver acompanhando, sinta o mesmo

Agora falando um pouco dos nomes~

Primeiro, o nome do livro é "RoseMary" por dois motivos: O conflito principal tem, e muito, a ver com "rosas" e, segundo, é uma referência à minha avó, Rosa Maria.
A personagem principal, Anna, foi tirada de mim, mas meio que em oposiçao às minhas atitudes. Assim, no que eu sou barulhenta e irritante, ela é calma e na dela. Deu para entender?
Quem conhece meu pai, meu irmaozinho e minha madrasta já deve ter percebido que eu usei bastante a imagem deles para montar a familia da Ann. Inclusive os nomes, que sao quase cópias ^^'
A cidade eu tomei como base a minha, deixando-a mais fria, pelo simples fato que gosto do friu!
O curso que a Ann faz de historia tem o motivo de ser por que eu AMO historia x3
As amigas dela sao baseadas nas minhas, mas nao direi quem é quem ;P
Os dois personagens masculinos, fora o Matt, sao idealizaçoes da minha cabeça. O vitor é um rapaz que eu pensei como sendo normal, mas charmoso, já o "jovem mestre" é um segredo que guardarei por mais algum tempo ;x~
Tem mais detalhes que tirei de minha própria vida, mas vou parando por aqui...

Até o próximo capítulo de RoseMary~

VI. Nova Inquilina.

– Annucha!? Annucha fofucha!? – Só uma pessoa me chamava assim. – Que prima desnaturada que não me recepciona! – E era a Camila.
– Eu estou no meu quarto! – Gritei de volta. – Já vou descer.
– Ta boom!
Não sei se já disse, mas minha prima era parecida comigo. Fisicamente. De resto nos éramos opostas. Tudo o que eu falava em uma semana ela dizia em um dia. Não parava quieta. Fazia amizade facilmente, e adorava sair com seus amigos e namorados. Diferente de mim, que estava solteira há um tempo.
– Achei que você iria chegar mais tarde. – Confesso. Ainda eram duas da tarde.
– E eu ia. Só que achei melhor chegar mais cedo. – Responde-me Camila. – E ai, o que estava fazendo de bom?
– De bom, nada. – O que era verdade.
– Então o que você estava fazendo? – Reformula sua pergunta.
– Apenas pensando. – Verdade de novo.
– Ai, como você consegue? Tem tanta coisa pra fazer e você fica sem fazer nada.
– Eu não estava “fazendo nada”, estava “pensando”. – E era o que eu mais fazia.
– Que seja. – Diz Camila, mudando de assunto. – Eu posso dormir aqui? Eu trouxe roupa de cama e toalha.
– Claro que pode. Sinta-se em casa. – Hoje eu iria para cama tarde.
Arrumamos a cama da Camila no meu quarto. Ele era relativamente grande, mas ficava apertado com uma cama a mais. Isso me incomodava ligeiramente. Minha janela estava aberta, e ficamos conversando debruçadas nela. Era gostoso nessa parte do dia. O sol ficava do lado esquerdo, parcialmente escondido entre as árvores, deixando a paisagem com um ar diferente. Estava bem mais quente que alguns dias atrás, e o vento soprava levemente. Acariciando tudo por onde passava.
– Acho que vou mudar de cidade. – Me fala Camila, entre uma pausa e outra de nossa conversa. – Minha mãe recebeu uma proposta de trabalho em Curitiba. – A mãe dela era contadora. – Ela quer ir para lá semana que vem.
– Nossa... – Foi a primeira palavra que me veio a cabeça. – Ah, isso vai ser bom para ela, não? – Pensar nos pontos positivos era bom. – E Curitiba é uma cidade legal. Você vai gostar.
– Sim, sim. Vai ser bom para ela e Curitiba é realmente uma cidade legal... Mas eu prefiro aqui! – Retruca minha prima. – É aqui que eu estudo. Aqui que tenho meus amigos. Aqui que eu gosto de morar. Não quero mudar de novo.
A mãe da Camila havia se mudado para esta cidade há cinco anos. Como ela trabalha em uma empresa, as vezes é designada a uma outra filial. Tendo que mudar de cidade. Esse era o caso.
– Se você quiser, Camila... ­– Começo a sugerir. – Você pode ficar um tempo aqui em casa. Agente já colocou mais uma cama no meu quarto mesmo, e você fica morando aqui por um tempo.
– Sério? – Pergunta-me minha prima. Tão feliz quanto surpresa. – Eu adoraria! Isso me da tempo para ajustar as idéias e falar calmamente com minha mãe. – E me da um abraço. – Muito obrigada, Ann!
Morar na mesma casa, e no mesmo quarto, que minha prima não era ruim. Eu me dava bem com Camila. Esse não iria ser um problema. Se bem que acordar com uma pessoa do seu lado, diariamente, pode mudar seu ponto de vista sobre determinados fatos. Mas acredito que uma semana, ou duas, não influenciariam tanto na nossa amizade.
Após tomarmos o café da tarde, assistirmos alguns filmes de ação e romance e depois de tomarmos banho, fomos nos deitar. O que é bem diferente de ir dormir. Ficamos acordadas por uma boa parte da madrugada, o que me deixaria exausta na manhã seguinte, conversando sobre assuntos sem importância e atualizando uma sobre os acontecimentos na vida da outra. Nessa parte da narrativa contei para minha prima sobre o Urso e como o encontrei na garagem, Sebastian e sua singular forma de falar, sobre o educado rapaz do mercado do outro lado da praça, Vitor, e como ele foi gentil me ajudando com a ração. Também contei do presente que recebi dos Calegari, a bela jóia em formato de rosa.
– Não acredito! – Exclama Camila, interrompendo minha narrativa. – Deixe-me ver! Deixe-me ver! Nossa Ann, se eu ganhasse um colar com um pingente por ter achado um cachorro eu adoraria.
– Calma Camila, já te mostro. – E me levanto da cama para pegar o delicado presente que recebi. – Aqui esta. – E entrego para ela a caixa rosada de jóias.
Camila pega em suas mãos meu presente, passando alguns segundos examinando o invólucro, sem abrir a tampa. Quando viu o conteúdo de seu interior se levantou e disse, quase pulando:
–Anna do céu! Isso é presente que se dá em um casamento, não por um simples favor! – Nisso ela estava certa. – Caramba... O “jovem mestre” gosta mesmo do cachorro, em. – E devolve-me a caixa.
– Deve mesmo. – Digo, concordando com minha prima.

V. Convite.

Acordei leve. Impressionantemente leve. Sem aquela habitual vontade de voltar a dormir.
Desci, ainda de pijama, para a cozinha. Encontrei todos à mesa. Meu pai lendo o jornal. Helena dando comida ao meu irmão.
– Vai sair hoje, filha?
– Não. Este domingo eu vou passar em casa mesmo. – Respondi sorrindo. – Por quê?
– Por nada, só para saber. – E volta para sua leitura.
Minha casa era em um bairro meio afastado. Não havia barulho de carros passando na rua com freqüência. Só os pássaros cantavam. E nesta manhã eles estavam animados também.
– Ah, você poderia ir até o mercado para comprar algumas coisas? – Continua meu pai. – Sua prima vai vir aqui mais tarde, e estamos sem pão, leite e queijo. Assim não vai dar para ninguém comer nada aqui.
– Ta, eu vou. – Concordei. Não sei bem o porque, mas senti falta do Urso quando pensei em voltar ao mercado.
Sair de casa quando não esta frio é gostoso. O tempo vinha esquentando gradualmente, e agora, as manhãs não eram mais tão gélidas. Dava para apreciar a curta caminhada.
Chegando ao mercado me senti estranha. Parecia que uma barreira me impelia de lá, só não entendia muito bem o motivo. Mas compreendi logo que entrei. Ver o Vitor arrumando uma prateleira clareou meus sentimentos. Eu estava nervosa, não estranha. Vê-lo ali me fez querer não estar lá. Se é que da para me entender.
Agradeci por ter trocado de roupa.
Voltar não ia ajudar em nada, então segui em frente. Passei pela outra sessão e fui direto para a parte dos pães. Depois passei pelos laticínios e fiz o caminho de volta. Porém o mercado não era grande o suficiente para que duas pessoas não se esbarrassem, e ele me encontrou.
– Oi, Anna – Me cumprimenta. – E o cachorro, vai precisar de mais ração? – Pelo menos ele pareceu-me realmente interessado.
– Ah... Não, ele foi devolvido para o dono ontem mesmo. – Então não precisarei mais de sua ajuda. – Nem chegou a comer metade do saco que comprei. – O que foi um desperdício.
– Ah, que pena...
– Pelo cachorro ou pela ração?
– Pelos dois. – E de novo aquele sorriso.
Não sei. Aquele sorriso era diferente. No rosto dele ficava tão simples e normal que me parecia mágico. No conjunto, o sorriso deixava-o com cara de inocente, mas ao mesmo tempo esperto. Nele era diferente.
– E então. Gostou da experiência de ter um cachorro em casa?
Demorei um tempo para responder.
– Até que foi interessante. – Interessante. A palavra que mais usava para situações como esta. – Não deu para sentir muito como é ter um de verdade.
– Eu passeio com alguns cães. É um trabalho legal... Se você quiser, pode me acompanhar algum dia desses. Daí você vê como é ter um cachorro, ou vários deles, no caso. É bem divertido. – Agora ele me parecia meio sem jeito. Quem sabe nervoso também.
– Sim. – Aceitei rápido de mais. – Quer dizer, não sei... – Ich, agora pareci confusa. – Quando vai ser a próxima vez?
– Eu passeio de quarta e de domingo. As vezes sábado também.
– Quarta eu poderia te acompanhar? – Não sei por que, mas eu queria.
– Poderia, sim. – Dizer isto com as mãos na cintura o fez parecer intocável. Respondi com um esboço de sorriso. – Pego você na sua casa as nove, pode ser? – Agora me pareceu preocupado.
– Pode sim. – Achei que um sorriso de resposta cairia bem. E ele me respondeu com outro.
– Então esta combinado. Quarta, as nove! – Tirou as mãos da cintura e cruzou os braços. Deixando-os rentes ao peito. – E onde você mora?
Ele precisava saber deste detalhe.
– Moro do outro lado da praça, bem no começo da rua. Em um sobrado vermelho. – A casa mais chamativa da rua. – Não é difícil de achar... Agora eu vou indo. Tenho que levar essas coisas para casa.
– Sim, sim. Até mais. – E assim, nós nos despedimos.
Saí de lá aérea. Como, em tão pouco tempo, arranjei alguém para sair? Eu havia falado com rapaz apenas duas vezes e ele já iria me buscar em casa. Isso não era, definitivamente, uma atitude minha. Eu deveria estar pirando.
– Demorou, Ann. – Advertiu-me meu pai.
– Eu fui andando devagar – O que não era mentira. – O troco.
– Pode ficar. – Meu pai sempre me dava o que sobrava do dinheiro das compras. – Sua prima ligou. Vai chegar de tarde.
– Ta. – Assim era melhor. Sobrava-me mais tempo para devaneios solitários.
Minha prima, Camila, era bem parecida comigo. Ela era do lado materno de minha família. O lado com mais cachos e com pele mais clara. Tinha estatura mediana. Olhos e cabelos dourados. Uma das poucas diferenças era o fato dela ser extremamente magra. Mas não ao ponto de preocupar-se.
– Você poderia cuidar do seu irmão um pouco? Helena está lavando roupa, e eu vou arrumar meu escritório. – Meu pai possuía dois escritórios. Um dentro de casa e outro no centro. O de casa vivia bagunçado. – Está bem, eu cuido dele sim. – Cuidar do meu irmãozinho era quase relaxante. Quase. Ele tinha começado a andar, e tudo era alvo de sua curiosidade. Ou seja: ele era um imã para lugares perigosos.

IV. Passeio e embrulho.

A cidade tinha uma praia razoável, mas para pessoas como eu, que não gosta de água salgada e areia, isto não era de grande importância. Chegamos ao shopping em trinta minutos e fomos comprar os ingressos. Aproveitei e liguei para meu pai. A escolha do filme ficou por conta da Amy e Tamy. O Matt gostava mais de ação, só que não tinha voz de comando para impor seu gosto com as duas juntas. Eu não ligava muito. Qualquer filme estaria de bom tamanho.
– Assim não da. Esse filme é perfeito! Não acredito que não vamos poder ver! – Diz Amy, indignada. – Não tem graça vir ao cinema se todo mundo já comprou os ingressos antecipadamente.
O problema da vez era que as duas sessões do filme “Memórias na praia” já estavam lotadas.
– Ah, eu também queria ver esse filme. – Agora quem reclamava era a Tamy. – Que pena.
– Agente espera sair em DVD ou voltamos aqui outro dia e assistimos a esse filme. – Diz o Matt. Era uma boa opção.
– Concordo. Hoje não da para nós vermos este. Agente escolhe outro e pronto. – Como já disse, para mim tanto faz.
– Então eu voto pelo “Sem escudo e sem honra”! – O Matt também gostava de filmes com temáticas medievais. – Não é só violência, e tem um pouco de romance.
– Hm... Pode ser... – Comenta Tamy. – O que você acha, Amy?
– Já que não podemos ver “Memórias na praia” tudo bem.
– Eu gostei do nome do filme. Parece bom – Digo. – A próxima sessão vai começar em... Uma hora, não é?
– Vamos dar uma volta, então – Sugere Tamara. – Quero ver se encontro alguma boa loja de roupas.
– Isso! Gostei da idéia! Vamos, vamos! – Pelo visto, a Amy também queria comprar roupas.
– Ai ai ai, ficar vendo roupa é muito chato. Vocês escolhem e escolhem para depois não levarem nada. – Era o Matt que acompanhava a Tamy quando ela ia comprar roupa. Ele tinha experiência no assunto.
– Eu vou com vocês. Quero comprar uma camisa de manga cumprida. – Eu adorava usá-las por baixo de uma de manga curta.
– Então está decidido! Vamos ir às compras! – A empolgação da Amy era invejável.
Ficamos andando pelo shopping por um tempo. Paramos em umas três lojas antes de encontrar alguma peça de roupa interessante.
– Esse shopping até que é grande. – Comentei. – Tem bastante gente.
– E mesmo. – Falaram as duas, quase ao mesmo tempo. Matt permanecia calado.
– E então, alguma novidade, meninas? – Nos pergunta a Amy.
– Agente fez a ultima prova do curso ontem. Eu acho que fui bem – diz a Tamy. – Fora isso, tudo na mesma.
– É, acho que fui bem na prova – Completo. – Ah, ontem apareceu um cachorro lá em casa. Ele tinha o numero do dono na coleira. Eu liguei para o telefone e o mordomo veio buscá-lo hoje de manhã. – Resumi a história.
– Mordomo? Que chique. Não sabia que ainda se tinham mordomos. – Comenta o Matt, brincando.
– Nossa... Sabe quem era o dono do cachorro? – Me pergunta Tamara.
– O nome eu não sei. A única coisa que o mordomo falou foi o nome dele, e o sobre nome do patrão. Se não me engano era Calegari.
– Hm... Não conheço. – Pensa alto Tamara.
– Se tem mordomo devem ser ricos. – Comenta Amy. – Eles te agradeceram por devolver o cão? – Pergunta com curiosidade.
– Sim. Eu disse que não queria nada, mas o mordomo insistiu e me deu um presente. Mas não abri ainda.
– Como não abriu ainda? – Quase grita. – Se fosse eu, já teria aberto faz tempo, Ann. – A Amy era muito curiosa.
– Haha, bem típico de você. – Me diz a Tamy. – Depois que você abrir nos conta o que é!
– Sim, sim. Eu conto. – Prometo para as duas, e olho para meu relógio. – Vamos ir andando. Já vai começar o filme.
– É mesmo. Vamos logo. – Concorda Matt. Encenando impaciência.
Não havia muitas pessoas na fila. A maioria deveria estar assistindo “Memórias na praia”. Mas a nossa segunda opção de filme também era boa. Contava a história de um guerreiro romano que queria acabar com a guerra entre sua família e outra. No meio da trama ele acaba perdendo mulher e filhos, e revoltado com isto, parte para a guerra. Desprovido de armadura ele acaba se ferindo seriamente, e morre. Mas a história dele permaneceu, e com isso o guerreiro pôde restaurar sua honra. A luta entre as duas famílias não durou muito mais. Por fim, ele conseguiu o que morreu tentando.
– O filme foi lindo. – Diz Amy, ao sair do shopping. – Não sei se agüentaria ver meu marido sofrer tanto assim por uma briga entre famílias.
– Naquele tempo as brigas levavam à morte mesmo. – Entra na conversa Matt. – Era comum resolverem as diferenças desse modo.
– Mas a mulher dele, e os filhos, não precisavam ter morrido. – Digo por fim. – Aquele primo dele que era o culpado. Que matassem ele.
– Verdade! – Agora quem falava era a Tamy. – Se eu fosse o guerreiro tinha matado ele primeiro. Daí o patriarca da outra família poderia não ter matado mais ninguém.
E a discussão de quem deveria morrer primeiro para salvar a vida da mulher e dos filhos do guerreiro romano continuou. No final ficou que a culpa era realmente do primo ganancioso.
Era três da tarde quando fomos comer. Eu não estava com muita fome. Tinha dividido um saco grande de pipoca com a Amy. Paramos em frente a um restaurante italiano e pedimos a especialidade da casa: Um espaguete de massa integral com especiarias, ao molho branco. Um prato dava para duas pessoas comerem com folga. Como não estávamos com muita fome pedimos três. Acompanhando suco natural de laranja, sem açúcar e com gelo.
Voltamos para casa ao entardecer. Encontrei meu pai assistindo televisão na sala, cuidando do bebe, que estava no tapete. A Helena preparava algo para dar ao meu irmão. Subi as escadas e fui para meu quarto. Joguei-me na cama. É muito relaxante fazer isso quando se está cansada. Olhei o embrulho em meu criado mudo. Era o agradecimento pelo “resgate” do Urso que ganhei mais cedo. Resolvi pega-lo.
Danificar o embrulho, mesmo que para abri-lo, era um pecado. O pacote era magnífico. Simples, porém bem acabado. Esta beleza toda só me fez ficar curiosa. Se o embrulho era assim, imagine o conteúdo. Mas ao pensar nisso, senti que não deveria ter aceitado o presente, afinal, eu não havia feito nada de mais. Dentro do pacote havia uma pequena caixa rosada. A abri com cuidado e, dentro desta estava um pingente. Um pingente com o colar, na verdade. O colar era lindo. Ele sozinho poderia ser considerado uma bela jóia. Era de prata, todo trabalhado. Vinha até quase o colo. Já o pingente, uma obra prima. Era uma pequena rosa, do tamanho de um botão. Parecia envelhecida. Tinha um ar de soberania inquestionável. Simplesmente a flor mais maravilhosa que já havia visto na vida. As duas peças juntas ficavam perfeitas. Ai sim que tive certeza que não deveria ter aceitado o presente.

III. Alô?

Agora era a hora de ligar para o dono do Urso. Eu não me dava bem com essas situações, então prolongar este momento só iria piorar as coisas. Como já havia feito antes, digitei o numero e esperei para ouvir os toques. Desta vez, uma pessoa atendeu. Após tocas quatro vezes, uma voz suave soou do outro lado da linha.
– Residência da família Calegari. Em que posso ajudar? – Que ótimo, um mordomo. Estou mais tensa agora.
– B-bem, eu encontrei um cachorro ontem, e ele tinha esse numero na coleira.
– A senhorita encontrou o Urso, então? Que bela noticia! – Então o cão era mesmo deles.
– Sim, também estava escrito “Urso” no medalhão.

– Ele se perdeu a poucos dias. Que bom que esta a salvo. Quando podemos nos encontrar para que possamos recuperar nosso estimado Urso?
– A-ah, quando o senhor puder. – Pelo visto o cachorro era mesmo amado pelos donos.
– Então que seja ainda hoje! – quanta empolgação – Onde a senhorita mora? Mandarei nosso motorista ir ai pegar o Urso.
– Esta bem. Meu endereço é... – Será que os mordomos são assim, mesmo? Bem, ele pode não ser um mordomo normal. Que família rica essa do Urso, em.
– Obrigado, senhorita! O motorista estará passando ai em cerca de vinte minutos.
– S-sim – Que rapidez.

– Ah, já ia me esquecendo – recomeçou o mordomo. – Gostaríamos de agradecê-la por recuperar nosso Urso com algum presente. Gostaria de algo em especial? – O-o quê?
– Na-não! Imagine! Não precisam me dar presente algum. Não fiz nada de mais, na verdade foi o Urso que me achou. O mérito é dele.

– Não gostaria de nada, mesmo? Que pena, terei que encontrar por mim mesmo um presente adequado para a senhorita. Até. – E desligou.
– Alô? A-alô?! – Que surpresa. Um mordomo afobado.
Estes foram os vinte minutos mais rápidos da minha vida. Em um instante eu estava no telefone, e no outro atendendo a campainha.
Um carro prata, estilo esporte, parou em frente à minha casa. De dentro saiu um homem de estatura mediana, cabelos penteados minuciosamente para trás e de terno cinza escuro. Com um embrulho pequeno e delicado nas mãos. O que não me agradou muito. O homem dirigiu-se ao outro lado do carro, e abriu a porta do passageiro. Outro homem, de terno igualmente cinza, mais alto, de cabelos loiros e óculos sai do carro. Pega o embrulho com o mais baixo e começa a caminhar em minha direção.
– Foi a senhorita que encontrou o Urso? – me pergunta o homem loiro.

–S-sim, fui eu – Ele deveria ser o mordomo, pelo tom de voz.
– Neste caso, deixe me vê-lo! O jovem patrão aguarda seu retorno! – Não havia duvida, ele era o mordomo.
– Esta bem. Entrem, por favor. O cachorro está lá dentro.
– Não será necessário. Traga-o aqui fora. Não devemos demorar muito. – Diz o mordomo, com um sorriso categórico no rosto.
– Então esperem um minuto que já trago ele. – não era muito confortável deixá-los esperando, então fui bem rápida ao entrar em casa.
Ao abrir a porta da cozinha o Urso estava sentado, parecendo esperar por alguém. Achei a cena apropriada.
– Urso! Urso, meu caro! Por onde andou nestes dias? – Mal apareço na porta e já fomos recepcionados pelo mordomo caloroso.
– Eu o alimentei nesta manhã, e ontem também. Só não liguei antes por que já era noite quando encontrei o cachorro.
Foi só eu desatar a coleira improvisada do Urso que ele saiu correndo para os braços abertos do mordomo. Seria outra bela cena, se não fosse tão estranha. Imaginei como seria o tal “jovem patrão”. Se o mordomo gostava tanto assim do cão, apenas pelo fato dele pertencer ao rapaz, eu queria saber como ele era.
– Aqui esta seu presente. Como não me disse com detalhes o que gostaria, tive que usar de meus pensamentos para te presentear com algo a altura do seu ato. – diz o homem loiro. – Espero que seja de seu agrado, senhorita. – E estende a mão direita, com o embrulho, para mim.
–Ah... Não precisava. Eu te disse que não queria nada. Foi o cachorro que me achou. Não tive trabalho algum com isso. – Tento em vão não aceitar o presente.
– Meu jovem patrão, e eu, somos eternamente gratos por você ter salvado nosso tão estimado Urso! Nós nos sentiríamos tristes se não aceitasse esse presente.
– E-então está bem. Muitíssimo obrigada. – Digo ao finalmente pegar o embrulho nas mãos.
– A família Calegari é quem agradece, senhorita. – O mordomo já estava entrando no carro quando abaixou os vidros, e disse: – Como a senhorita se chama? Peço-lhes desculpas por não ter perguntado antes.
– Me chamo Anna.
– Muito obrigada, Anna, por resgatar o Urso. Chamo-me Sebastian – Diz por fim o mordomo. E o carro prata vai embora.
Vou caminhando para dentro de casa lentamente. Absorver tantos acontecimentos não era minha praia. Eu era daquelas que ficava remoendo cada pequeno pensamento em minha mente. Até não aguentar mais e desejar ter o controle do que posso ou não pensar.
Quando entrei em na cozinha o telefone estava tocando. Hoje era um dia agitado mesmo. E nem havia passado da hora do almoço.
– Ann?! Aleluia, garota! Eu estava tentando te ligar faz um século! – era a Amy, outra de minhas amigas. – Eu vou passar ai na sua casa em uma hora para agente sair! Já falei com a Tamy e esta tudo combinado! O Matt também vai, ta?
– Ta bom, e para onde vamos? – Era típico dela nos colocar em planos sem nos consultar.
– Vamos para o cinema da cidade vizinha! O daqui é muito pequeno! Não tem nem graça assistir qualquer coisa nele. – Nisto ela tinha razão. – O Matt ta de carro, ele nos leva e nos trás. Já ta tudo planejado.
– Ok. Fico pronta em 40 minutos. Agente volta antes do almoço?
– Acho que não. Almoçar lá seria melhor, não é?
– Pode ser, vai... Até Amy – Meu desanimo era notório.
– Até, Anna!
Mal acordei e já conversei com um rapaz que trabalha no mercado, devolvi um cachorro para um mordomo, recebi um presente e agora tenho que me trocar para sair com a Amy. Não era nem dez horas da manhã.
Subi as escadas para meu quarto, meio cambaleando. Ainda deveria estar com sono. Coloquei o presente que ganhei dos Calegari na cômoda e abri meu guarda roupa. Fazia semanas que ninguém arrumava aquela bagunça. Eu não iria achar nada daquela forma. Com muita sorte, encontrei a blusa e a calça que eu estava procurando. O que era equivalente, naquelas condições, a ter encontrado duas agulhas em um palheiro. Coloquei minha carteira e documentos em minha bolsa. Tomei banho e arrumei meu cabelo em tempo recorde. Em menos de meia hora já estava quase pronta.
Ao descer as escadas encontrei meu pai.
– Anna, de quem era aquele carro que parou aqui em frente mais cedo? – Me pergunta, tentando disfarçar a curiosidade.
– Era o mordomo do dono do cachorro. Eu liguei para o numero que estava na coleira, e ele já veio recuperar o Urso. – Digo ao passar por ele. – A Amy me chamou para sair. Vamos ao shopping perto da praia. Acho que agente vá voltar um pouco depois do almoço.
– Mordomo? Quem diria. – pensa alto meu pai – Ta bom, filha. Toma cuidado que é sempre bom.
– Sim, pai. A Tamy e o Matt também vão.
– Ta. Eu vou ficar em casa o dia todo. Qualquer coisa me liga. – A velha preocupação do meu pai nunca o abandonava.
– Eu te ligo assim que chegarmos ao shopping. – Assim ele ficaria mais tranqüilo – A Amy e os outros devem chegar daqui a pouco. Vou esperar na sala.
Não estava mais tão frio, mas levava comigo meu casaco cinza. O tempo daqui é imprevisível, então estava preparada. Ele era um pouco maior do que deveria, então parecia grande em mim. Eu gostava disso.
Escutei o Matt buzinando, e me levantei do sofá. Meu pai lembrou-me de ligar quando chegasse. Abri a porta da frente e sai.
– Ann! Esta esperando há muito tempo? – Perguntou-me Tamy. – Agente demorou um pouco por que a Amy não decidia a roupa dela.
– Ai gente, nem demorei tanto assim – Diz a Amy, para se defender, ao cruzar os braços. – Nós chegamos, não? – Ela era uma típica japonesa: cabelo liso e escuro. E baixinha.
– Tudo bem, não esperei muito tempo. – Digo eu, entrando no carro.
O carro do Matt não era nem grande nem pequeno. Cabiam cinco pessoas tranquilamente, e já que éramos quatro, sobrou espaço. A Tamara estava no banco da frente, ao lado do Matt, que dirigia. Eu estava atrás, do lado esquerdo, com a Amy ao meu lado.

II. Conversa.

Mais uma manhã começa. Poderia ter continuado a dormir. Não tinha que ir para o curso. Apenas um detalhe não batia com esta idéia: tínhamos um cão. Acordar com latidos é frustrante. Você sabe que poderia descansar por mais tempo, só que há barulho de mais. Como voltar ao mundo de Morfeu me foi negado, ir ver o Urso era o que me restava. Ele estava acordado, na sala, em frente à porta que dava para o quintal. Inquieto. Eu não iria deixá-lo sair. Tinha que ligar para o numero que estava na coleira primeiro. Perder um cachorro que não é seu é uma má idéia.
O telefone tocou duas vezes e caiu na caixa postal. Meu primeiro impulso foi desligar, mas continuei até terminar de ouvir a mensagem da secretaria eletrônica. Não sabia o que dizer, então desliguei realmente. Só então percebi que ter deixado um recado teria sido melhor. Ter perguntado se a pessoa havia perdido um cachorro recentemente, pelo menos. Que burrice a minha. Então recomecei a discar o numero, mas não continuei. Meu estomago reclamou e achei melhor tomar o café da manha primeiro. Dar comida ao Urso também.
Meu pai aceitou bem a idéia de abrigarmos um cão temporariamente.
– Se você acha melhor, Ann, tudo bem – disse ele quando contei o acontecimento – Mas não tenho tempo pra cuidar de um cachorro, e Helena tem mais coisas para fazer. Até você encontrar o dono, cuide do... Urso você mesma. – Não que Richard não gostasse de animais, apenas achava que não teria tempo para cuidar de um adequadamente. E acreditava que eu também não. Helena, por outro lado, adorou a idéia.
Ontem eu havia dado tudo que estava disponível para alimentar o Urso. Então teria que ir até a mercearia do bairro para comprar ração para ele. E aproveitaria para comprar uma tigela.
Esta manhã estava mais quente que a anterior. E com o sol mais aparente. Andar com um cachorro me pareceu tão natural que gostei da idéia. O Urso já tinha coleira, era só improvisar a guia, e pronto! Peguei uma corda, amarrei à fivela da coleira e comecei a caminhada.
Realmente, aquele era um belo dia. O céu estava tão azul, e sem nuvens, que me perguntei se havia sido pintado.
Eu tinha tempo naquela manhã, então não me preocupei com o caminho, e segui pela praça. Fazia quanto tempo que não passeava por ali? Na verdade, fazia muito tempo que eu não passeava por lugar nenhum.
Andar com o Urso era interessante. A ele me levava mais que eu a ele. Ver toda aquela animação me fez ficar animada também. Como era bom correr sem se preocupar com nada, apenas em correr. Quem sabe eu não adotaria um cachorro depois disso tudo. A mercearia já estava perto. Parei com a corrida e comecei a andar calmamente. O que o Urso não gostou muito. Como não era permitida a entrada de animais, prendi o cachorro na porta do pequeno mercado, e entrei. Não sabia qual ração comprar. Eu era uma leiga nesse assunto. Acho que minha inexperiência era visível, pois um rapaz veio falar comigo.

– Essa não é muito boa. Se o cão for filhote, pelo menos. – Diz o jovem. Ele era alto e de pele clara. Olhos e cabelos castanhos, bem claros.
– Ah... B-bem, não sei a idade dele, mas não me parece filhote. – que bela hora para gaguejar, Anna.
– Se ele for mais velho, temos outras melhores no final do corredor.

– Creio eu que ele seja mais para novo que para velho. Qual você me indicaria então?
– Se é assim, a normal seria o suficiente. Venha, eu pego ela para você.

– O-obrigada... O rapaz me levou até o outro corredor. Passamos por uma infinidade de marcas e tipos de rações. Eu me perderia ali. Até que paramos em frente a uma prateleira com vários petiscos e brinquedos para cães, entre outros produtos.
– Esta aqui é de boa qualidade, e esta em conta. Quantos quilos você vai precisar? – perguntou-me o rapaz.

– Não sei ao certo. Ele come bastante, mas acho que não ficarei com ele por muito mais tempo.
– Leve um saco então, se for precisar de mais volte e compre. Creio que um será o suficiente por uns dois ou três dias. E se a senhorita permite-me perguntar – continuou ele – O cachorro não é seu?
– Não, eu o encontrei na minha garagem ontem – não tinha por que não contar – Ele tem um telefone na coleira. Eu ia ligar para o numero de manhã, mas achei melhor dar comida para o cachorro primeiro.
– Ah! Entendi. Você fez bem. Se ele estava perdido, deveria ter passado fome. Então, eu vou te dar umas amostras de biscoitos caninos também.

– N-nã-não precisa! Só ter me ajudado com a ração esta ótimo! – Não sei por que, mas ele me oferecer os biscoitos me deixou nervosa.
– Que nada, são amostras! Meu trabalho também é distribuí-las aos clientes, senhorita. – e me abriu um sorriso.
– S-se é assim, está bem – me senti corar – eu aceito os biscoitos. Obrigada.

– Não foi nada. A propósito, me chamo Vitor. – e estendeu uma das mãos para me cumprimentar. Tendo na outra a ração e a amostra grátis.
– Eu me chamo Anna. – Estendi também a mão. – Muito prazer.
– O prazer é todo meu, Anna. – E mais uma vez, me mostrou seu sorriso. Na volta para casa eu estava em transe. Conversar com alguém assim era novidade para mim. E o rapaz... O Vitor era muito educado. Tentei tirar esse acontecimento a cabeça. Ter devaneios por uma simples troca de palavras era demais. Cheguei em casa e percebi que não tinha comprado a tigela. Colocaria a ração no mesmo pote que usei na noite anterior. Pensando melhor, se eu iria mesmo ligar para o possível dono do cachorro, ter esquecido a tigela não era ruim.

I. Silêncio

Sempre que eu acordo estou cansada. Hoje não poderia ser diferente. Sabe aquelas manhãs que parece que o sol perdeu a hora? Essa era uma delas. Mas para mim estava mais para o sol ter ficado de mau humor. Não que eu ligasse. Até gosto de dias nublados. E estava tentando ficar alheia a toda e qualquer mudança no clima. Porém, mesmo para uma cidade fria, este frio era demais.
Não se pode ficar na cama a manhã inteira. Não importando o quão agradável isto pareça. Já estava ficando acostumada com essa moleza que me abatia depois de acordar. Eu era a que mais demorava para se trocar, por isto não havia mais ninguém acordado nesse horário. A casa não deveria possuir barulho algum. Apenas meus passos e respirações preenchiam meus ouvidos. Por que será que aquela gélida manhã seria diferente?
Logo após o banho deitei-me na cama. Ainda com sono. Meu quarto era os fundos da casa, segundo andar. A parte mais alta da construção. Um som baixo, mas constante, me chamou a atenção. A movimentação começaria em meia hora. Quando o restante de minha família acordasse. Não era para haver som algum agora. Com curiosidade, e força de vontade, abri a persiana da janela para a aparente madrugada. Com o sol recluso não vi nada além de borrões negros em um fundo indistinto. Mas havia algo ali.
Atrasar-me não era uma opção. Meu curso era do outro lado da cidade e haveria prova neste dia. Ignorei o ranger inesperado e fechei a janela. Quando fui para a cozinha todos já estavam à mesa. Meu pai em seu lugar habitual, sua mulher, com meu irmão no colo, ao seu lado. Mesmo acordando antes de todos, eu sempre perdia a hora. Meu café da manhã já estava no meu prato. Tomei o leite, e comi o pão inquieta.
– Vai engasgar filha. – Disse Richard. Meu pai era alto. Cabelo preto e ondulado. Com os olhos igualmente negros. E tinha começado a usar barba.

– Estou atrasada, pai! – continuo a comer.
– Acorde mais cedo e mastigue direito – continua meu pai.
– Anna – interrompe minha madrasta – você poderia cuidar do bebê esta tarde? Tenho que acabar um trabalho.
A esposa do meu pai, Helena, também era alta. Morena de cabelo liso, com os olhos pretos. Conheço-a desde sempre. Ficou grávida ano passado. Eu não me importaria em cuidar do meu irmãozinho.
–Depois que voltar da faculdade eu cuido dele. Mas para isso tenho que ir para lá. Podem me levar agora?
–Eu levo, filha. – meu pai nunca parece feliz em sair de casa antes das nove.
– Obrigada.
A faculdade da minha cidade abria vaga para cursos nas férias. Eu agora cursava Historia Antiga. Uma mistura de Egito e Era Medieval. A professora preparava a pior prova final dos cursos, e eu estava atrasada para ela.
Até que tinha facilidade para a matéria, mas fiz a prova de oitenta questões no tempo máximo. Se minha media baixasse teria perdido minhas manhãs por nada. E agüentar meu pai reclamando por não ter passado no curso era pior que esta prova.

–Ann! Só saiu da prova agora? – Pergunta-me Tamara Ela era uma das poucas amigas que tinha. Ela também fazia curso nas férias, mas não comigo.
–Tamy! Tamy! – eu era mais alegre com ela – Sim... Acho que passei. E você? – Ela não era baixa nem alta. Mantinha seu cabelo castanho curto.
–Já sai há uns minutos, e fui bem! Ah, você viu o Matt? – Matt era o namorado dela. Alto e quase loiro – Não sei em que andar é a prova dele... – Não vi, não. –Então deixa quieto. Quer sair mais tarde?
–Não posso. Vou cuidar do meu irmão à tarde. Tenho que ir andando.
–Ah, pena. Faz tempo que agente não sai – e era mesmo verdade. – No próximo fim de semana agente marca de ir ao cinema. – Está bem, então. Vou procurar o Matt.
–Tchau, Tamy! – Tchau, Ann!
Minha casa era longe, mas ir andando para a creche do meu irmão era tranqüilo. Bem, seria, se o caminho não passasse por uma das republicas mais lotadas da cidade. Meu irmão era barulhento. Nada o descrevia melhor. Não falava ainda, mas não parava de boca fechada por muito tempo. Andar com ele pelas ruas era, no mínimo, chamativo. Eu deixava ele na casa de uma das amigas da Helena, e ficava para ajudar. A reunião dela acabou antes do previsto, então ela pegou meu posto de ajudante. Assim resolvi ir para casa. Uma das melhores, se não única, opção para se fazer em uma tarde fria é ficar na cama com cobertas. Cheguei em casa as quatro da tarde. Meu pai chegaria em uma hora. Até lá, o velho e conhecido silêncio era minha companhia. Ou deveria ter sido. O mesmo ranger de manhã acordou-me de meus devaneios. Desta vez mais... Próximo? Pareceu-me mais intenso, também. Ir procurar o causador de um barulho desconhecido em uma tarde fria era minha outra opção. Mas quase desisti depois de tirar minha perna direita debaixo do cobertor.
A tarde estava tão nublada quanto a manhã. Mas a porta da garagem parecia entreaberta. Não tinha por que não ir lá dentro. Pelo menos lá não ventava. Sempre que me aproximo de um lugar escuro em um dia macabro fico tensa. Quem não ficaria? Mas o barulho vinha de dentro da garagem, e eu queria ver o causador dele.
Abri a porta com raiva. As dobradiças questionaram minha atitude. O que era uma prova de que ninguém entrava lá há um bom tempo. O ranger interno cessou. Continuei avançando. Lá dentro realmente não ventava, e isto deixava o ar meio pesado. E estava mais escuro que fora. Acendi a luz e percebi que a lâmpada estava queimada. Que bela surpresa. Então correntes me chamaram a atenção. Na verdade, o barulho delas. E um vulto de um animal veio até mim. Ele tomou forma e desvendou ser um cachorro. Um grande e peludo cachorro, contudo me pareceu magro. Ele parou depois de encurtar pela metade a distancia entre nós. Avancei alguns passos e achei a causa: A corrente que o cão usava estava presa ao pé da mesa de centro da garagem. Aproximei-me para ajudá-lo e ele se sentou. Um cachorro educado, pelo menos. Mas a maior surpresa foi quando eu o soltei. Ele pulou em mim, fazendo festa. Um cachorro manso, pelo menos. A sensação de ter um Husky pesado no seu colo não é uma das melhores. Não, eu estava errada. Ter um Husky pesado no seu colo te lambendo era pior. Depois de me recompor decidi levá-lo para dentro de casa. Uma garagem escura e úmida não era boa nem mesmo para um cachorro. Como ele parecia magro deduzi que se perdera ha algum tempo. Então deveria estar com fome. O que era um problema. Se papinha também alimentasse cães tudo bem. Quem sabe ele gostasse de macarrão instantâneo. Mas logo percebi que este não seria um problema. O cachorro comeu tudo que o ofereci. Depois de comer ele se deitou no tapete da cozinha e dormiu. Vendo ele ali, quieto, percebi o quanto estava sujo de lama. Antes de aparecer na minha garagem, ele devia ter passado pelo bosque. Olhei mais atentamente e vi que, por debaixo dos pelos, ele tinha uma coleira, uma bela coleira. Seu dono deveria gostar muito dele. E estar preocupado com o paradeiro de seu animal de estimação, também. A coleira possuía um medalhão. De um lado estava escrito “Urso”. Deduzi ser o nome do cachorro. Já do outro lado, um telefone. De seu dono, pensei. Decidi ligar para o numero no dia seguinte. Agora só teria que pensar como explicar para meu pai que um cão iria ficar conosco por um tempo.

Bem, começando...


Eu estou começando com este blog a pedido de uma amiga ú_ù
Sabe quando voce pensa "acho que vou começar um livro"? ou algo do genero? entao, eu pensei isso ha uns meses, e comecei realmente um! o/
Esta minha amiga gostou do começo da historia, e me pergunto se eu ia fazer alguma coisa com ela... Eu nao ia fazer nada, na verdade... Mas essa pergunta me fez pensar em divulga-lo em algum lugar... Por que não um blog? Então eis aqui o resultado~